Arquivo da categoria ‘Poesia’

Galeria Gambalaia

Publicado: fevereiro 5, 2018 em Eventos, Literatura e Outras Artes, Poesia

De 19 de janeiro a 19 de março de 2018

Santo André – São Paulo

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Galeria Gambalaia – Espaço de Arte e Cultura

Santo André – São Paulo

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Santo André – São Paulo

Cartaz Chão Arejado

Projeto Gráfico – Sergio Luiz

Edição de Vídeo e Documentário – Lais Rilda

Organização e Produção – Humberto Alex Lima

Aos que vierem depois de nós

Publicado: novembro 17, 2017 em Poesia

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Aos que vierem depois de nós
I
Realmente, vivemos tempos sombrios!
A inocência é loucura. Uma fronte sem rugas
denota insensibilidade. Aquele que ri
ainda não recebeu a terrível notícia
que está para chegar.

Que tempos são estes, em que
é quase um delito
falar de coisas inocentes.
Pois implica silenciar tantos horrores!
Esse que cruza tranqüilamente a rua
não poderá jamais ser encontrado
pelos amigos que precisam de ajuda?

É certo: ganho o meu pão ainda,
Mas acreditai-me: é pura casualidade.
Nada do que faço justifica
que eu possa comer até fartar-me.
Por enquanto as coisas me correm bem

(se a sorte me abandonar estou perdido).
E dizem-me: “Bebe, come! Alegra-te, pois tens o quê!”

Mas como posso comer e beber,
se ao faminto arrebato o que como,
se o copo de água falta ao sedento?
E todavia continuo comendo e bebendo.

Também gostaria de ser um sábio.
Os livros antigos nos falam da sabedoria:
é quedar-se afastado das lutas do mundo
e, sem temores,
deixar correr o breve tempo. Mas
evitar a violência,
retribuir o mal com o bem,
não satisfazer os desejos, antes esquecê-los
é o que chamam sabedoria.
E eu não posso fazê-lo. Realmente,
vivemos tempos sombrios.

 

II
Para as cidades vim em tempos de desordem,
quando reinava a fome.
Misturei-me aos homens em tempos turbulentos
e indignei-me com eles.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

Comi o meu pão em meio às batalhas.
Deitei-me para dormir entre os assassinos.
Do amor me ocupei descuidadamente
e não tive paciência com a Natureza.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

No meu tempo as ruas conduziam aos atoleiros.
A palavra traiu-me ante o verdugo.
Era muito pouco o que eu podia. Mas os governantes
Se sentiam, sem mim, mais seguros, — espero.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

As forças eram escassas. E a meta
achava-se muito distante.
Pude divisá-la claramente,
ainda quando parecia, para mim, inatingível.
Assim passou o tempo
que me foi concedido na terra.

 

III
Vós, que surgireis da maré
em que perecemos,
lembrai-vos também,
quando falardes das nossas fraquezas,
lembrai-vos dos tempos sombrios
de que pudestes escapar.

Íamos, com efeito,
mudando mais freqüentemente de país
do que de sapatos,
através das lutas de classes,
desesperados,
quando havia só injustiça e nenhuma indignação.

E, contudo, sabemos
que também o ódio contra a baixeza
endurece a voz. Ah, os que quisemos
preparar terreno para a bondade

não pudemos ser bons.
Vós, porém, quando chegar o momento
em que o homem seja bom para o homem,
lembrai-vos de nós
com indulgência.
– Bertolt Brecht (Tradução Manuel Bandeira)

 

Cartaz Chão Arejadoconvite-marcos

 

Faculdade Zumbi dos Palmares – FLINKSAMPA

* Abertura da Exposição Chão Arejado 16 de Novembro.

* Lançamento do livro Chão Arejado publicado agora em 2017 pela Editora Penalux – França & Gorj – 16 de novembro.

* Performance – “faça-me de poesia” – 16, 17 e 18 de novembro.

* Visita Guiada em meio a um bate-papo com alunos e alunas de escolas públicas da cidade de São Paulo – Arte-Educação.

Catálogo Chão Arejado

Publicado: outubro 25, 2017 em Literatura e Outras Artes, Poesia

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Catálogo Chão Arejado disponível para baixar gratuitamente em PDF

Em breve disponibilizaremos o catálogo também em e-book para ser lido nos diversos dispositivos disponíveis, os mesmos dispositivos disponibilizados pela Amazon e Apple para venda de livros em e-book. Oportunamente será disponibilizado também no suporte em papel em galerias de arte em Santo André-SP & São Paulo-SP.

Chão Arejado PDF

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Fórum de Debates
A Voz da Arte

Mesa 1 – A Palavra do Artista

Debates e discussões em torno do artista no seu trabalho transitando entre as diversas linguagens artísticas e suas articulações com outras artes. Atividade com duração entre duas e três horas. Há possibilidades de recital poético, mostra de vídeos e documentários entre outras intervenções artísticas.

Talles Colatino (UFPE),
Marcos Torres
Oriana Duarte (UFPE)
Mediador: Talles Colatino
Dia 16.08.2017 das 9:30 às 12:00 hs

Mesa 2 – Cinema & Recital Poético

Apresentação de filme e recital poético seguido de debate.
Dia 16.08.2017 das 14:30 às 17:00 hs

Mesa 3 – Processualidade, Parcerias e Amálgamas

Debates e discussões no horizonte da arte em processo, parcerias artísticas, amálgamas dentro da arte contemporânea e suas articulações com outras linguagens. Atividade com duração entre duas e três horas. Há possibilidades de recital poético, mostra de vídeos e documentários entre outras intervenções artísticas.

Paloma Vidal (UNIFESP)
Maria do Carmo Nino (UFPE)
Marcelo Farias Coutinho (UFPE)
Patrícia Tenório (PUCRS)
Mediadora: Maria do Carmo Nino
Dia 17.08.2017 das 9:30 às 12:00 hs

Mesa 4 – Teoria e Crítica Literária entre as Linguagens Artísticas

Debates e discussões no horizonte da teoria e crítica literária entre as linguagens artísticas e suas articulações. Atividade com duração entre duas e três horas. Há possibilidades de recital poético, mostra de vídeos e documentários entre outras intervenções artísticas.

Luciene Azevedo (UFBA)
Lourival Holanda (UFPE)
Eduardo Cesar Maia (UFPE)
Mediador: Lourival Holanda
Dia 17.08.2017 das 14:30 às 17:00 hs

Chão Arejado

Publicado: junho 16, 2017 em Eventos, Literatura e Outras Artes, Poesia

Livro – Exposição – Fórum de Debates

 

Esboço cartaz

Livro-Exposição

Publicado: março 29, 2017 em Eventos, Literatura e Outras Artes, Poesia

Em breve!

Livro-Exposição

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23.

habit-ações…

quantas pernas bamboleantes…

por que lá a maré nunca está boa?

e esta fuligem, este rio que passa sem ao menos dizer um adeus,

em meio ao rumor do tráfego lá em cima nos viadutos.

e esses ameaçadores automóveis com seus olhos de serpente;

este metal duro e indiferente.

por que essa gente vive tão separada por essas margens,

de um lado olhos sonolentos,

olhando para o outro lado da margem,

em frente a um amontoado de cascos duros com dedos em riste quase tocando o céu

com tamanha indiferença, silêncio e separação…

por que essas águas não responde o meu grito?

quais epidermes moram nestas habit-ações?

não sei o que responder ao  estômago quando ele começa a perguntar demais.

por que não encontro respostas para saciar o meu próprio corpo,

frágil e agonizante…

por quê?

m.t.

Foto e vídeo

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