23.

habit-ações…

quantas pernas bamboleantes…

por que lá a maré nunca está boa?

e esta fuligem, este rio que passa sem ao menos dizer um adeus,

em meio ao rumor do tráfego lá em cima nos viadutos.

e esses ameaçadores automóveis com seus olhos de serpente;

este metal duro e indiferente.

por que essa gente vive tão separada por essas margens,

de um lado olhos sonolentos,

olhando para o outro lado da margem,

em frente a um amontoado de cascos duros com dedos em riste quase tocando o céu

com tamanha indiferença, silêncio e separação…

por que essas águas não responde o meu grito?

quais epidermes moram nestas habit-ações?

não sei o que responder ao  estômago quando ele começa a perguntar demais.

por que não encontro respostas para saciar o meu próprio corpo,

frágil e agonizante…

por quê?

m.t.

Foto e vídeo

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Alerta

 

Habit-ações

Lançamento e Exposição em breve!

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EM BREVE!

CHÃO AREJADO – EXPOSIÇÃO MOSTRA POÉTICA IMAGENS E INSTINTOS

Produção e Edição de Vídeo e Documentário: Lais Rilda

Textos: Marcos Torres

Interpretações Gráficas: Uillian Novaes

Residência Artística

Publicado: janeiro 11, 2017 em Conto

Residência Artística para experiências intercambiáveis…

Arerogramme Writers’ Studio

http://www.aerogrammestudio.com/2017/01/05/residencies-for-writers-2017/

Mundo Líquido-Moderno

Publicado: janeiro 10, 2017 em Literatura e Outras Artes

Sempre sou atravessado pelos pensamentos e paradigmas conceituais de Zygmunt Bauman. Um sujeito constantemente inquieto, ácido, com extrema lucidez,  com grande percepção sobre o mundo e o estado das coisas, jamais dava uma resposta simples para uma pergunta complexa, isso fica para os rasos, para os que têm pouco ou quase nada a dizer…Responde tudo sempre com muita elegância e cuidado, mesmo diante de um mundo líquido-moderno cada vez mais rarefeito…

Leia as duas entrevista com Zygmunt Bauman:

Revista Cult – Bauman: ‘Para que a utopia renasça, é preciso confiar no potencial humano de reformar o mundo’

http://revistacult.uol.com.br/home/2017/01/bauman-para-que-a-utopia-renasca-e-preciso-confiar-no-potencial-humano-de-reformar-o-mundo/

El País: Zygmunt Bauman: “Las redes sociales son una trampa”

http://cultura.elpais.com/cultura/2015/12/30/babelia/1451504427_675885.html

 

 

 

22.

daqui saiu a barriga onde um dia eu fui gerado em outra terra. aqui, onde tantos corpos são atravessados por faltas e escassez. onde o vento sopra vindo do lado deste imenso oceano com a face virada para outros continentes. neste extremo oriental do brasil onde o sol nasce mais cedo… estes versos do poeta, bailando com o vento nestas águas cor de anil…  se somos cidadãos e cidadãs do mundo por que pouco nos importamos com o que está acontecendo do outro lado do oceano, com o que está acontecendo próximo de nossa respiração, ao nosso lado? este mapa indiferente, separando os corpos, segregando as culturas no fundo deste oceano, por entre as folhagens dessas matas densas com galhos secos… uma pintura viva, poética, este cachorro deitado neste chão de terra macia, dormindo um sono tão tranquilo, em silêncio e ouvindo o sussurro do vento vindo do leste…tão diferente de baleia que falava pelo estômago, com seus ossos e pele duros como um cepo…

…estou deitado em um parapeito da janela de alguma casa feita de estacas e barro batido…

cabo branco – joão pessoa – paraíba – brasil

marcos torres

foto e vídeo

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22.1

…por que não apagamos as linhas dos mapas e juntamos os oceanos e pisamos em uma terra sem dono…

…estou sentado em algum arbusto por entre os galhos ou entre as folhas secas das árvores…

cabo branco – joão pessoa – paraíba – brasil

marcos torres

foto e vídeo

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EMERGÊNCIA

Publicado: dezembro 1, 2016 em Literatura e Outras Artes, Poesia

Poema Visual – Visual Poem. Para a coletânea do livro-experimental “Cartografia”

emergencia

[hã]-verso

Publicado: novembro 17, 2016 em Literatura e Outras Artes, Poesia

gorila

“Chão Arejado” – Lançamento em breve!

textos: marcos torres

interpretações gráficas: uillian novaes

 

[hã]-verso

eu

sou aquele
ao seu lado.

veja-me.

ao emitir minha voz profunda não precisa ter medo.

só quero livrar-me dos inimigos, caçadores e canibais.

somos filhos dos mesmos avós.

nossas distâncias são grandes,

porque não gosto do rumor do tráfego nem de suas buzinas enfurecidas.

prefiro saborear os brotos de bambu no silêncio das montanhas do congo.

sou pacato, assim como o meu bando.

só não gosto de perturbações.

será que não vê o mundo já cheio de ruídos?

pra que tanta hostilidade, esta linguagem beligerante, cheia de segregação…

nossos filhos têm brincadeiras iguais.

veja do outro lado o seu antepassado.
 

 

21.

travessia.

leia, este papel abandonado. pelo menos uma sílaba antes de atravessar para o outro lado da ponte. diante deste céu ausente que demora tanto tempo para derramar uma lágrima. diante destas águas turvas, com peixes solitários pulando e vencendo a correnteza fugindo dos anzóis e de predadores bípedes. esta ponte muda. ao lado de corpos escondidos sob os tetos carcomidos dos viadutos. e do outro lado um chão de betume, em meio ao asfalto quente e crianças com uma esqualidez agonizante, como os ossos do boi sendo cortados pelo punhal do magarefe, roupas em frangalhos, pés descalços, rostos pálidos, olhos sonolentos, jogadas nas calçadas sugando brasas acesas dentro de uma lata velha, uma humanidade-cumplicidade jamais vista antes debaixo deste céu com olhos cegos, nenhuma outra igual em morte coletiva, em muito ou pouco tempo tudo pode virar cinzas, ou terra para alimentar parasitas, ou, nada…entre olhares impiedosos, com uma indiferença atroz, inquisidores vagando pelas ruas como sombras de fantasmas entre becos escuros e casarões em ruínas com seus olhos antigos olhando de soslaio e observando o rumor do tráfego com um enevoado mar de fuligem. e todos esquecidos por corpos semivivos e trancafiados em subterrâneos com endereços incertos e lugares escusos, impenetráveis, sombrios, inacessíveis… leia, este corpo mudo divido em páginas-silêncio. nem que seja uma sílaba…

estou deitado em alguma ponte do rio capibaribe… recife – pernambuco – brasil

marcos torres

foto e vídeo

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