“UM PRATO PARA QUEM TEM FOME” – Parte I

Publicado: maio 25, 2013 em Conto

“PERSPECTIVA DE INTERNACIONALIZAÇÃO DA LITERATURA BAIANA/BRASILEIRA”.

RESUMO

Por Marcos Torres

Vou tentar esboçar um resumo como um prato para quem tem fome. São muitas informações importantes e muito específicas. Mas espero que essas informações prévias possam auxiliar algumas Editoras em suas ações presentes e futuras. E, caso já tenham algumas dessas informações, favor desconsiderá-las. Este evento foi promovido pela FUNCEB/Secult – Setorial de Literatura em parceria com Goethe Institut.

Palestrantes:
Dolores Manzano – Apex Brasil;
Fabio Lima – Fundação Biblioteca Nacional;
Nicole Witt – Agência Literária Mertin, Frankfurt – Alemanha.

Dolores Manzano – Apex Brasil – Diretora do Programa Brazilian Publishers
O principal objetivo, entre muitos outros objetivos e ações, é inserir o autor baiano-brasileiro na Agência Literária Mertin a partir da parceria com a Apex-Brasil, assim como mostrar novas possibilidades de inserção no mercado literário e editorial internacionais.

Pontos importantes: mudar a cultura do livro – ao invés de receber livros para tradução e publicação no Brasil, traduzir e publicar fora do Brasil. Mercado alvo: EUA, México, Alemanha, França, Angola, Coreia do Sul, Chile, China.

Observar os benefícios das empresas participantes do Programa Brazilian Publishers (deve ficar atento para se associar): editoras associadas têm suas despesas pagas pelo programa para participar de todas as feiras do livro articuladas no programa; saber mais informações no site oficial da Apex-Brasil. Próximas feiras em que o Brasil será Homenageado: Frankfurt 2013, Bolonha 2014 e Guadalajara 2015.

O programa da Apex-Brasil está montando um catálogo bilíngue em dois suportes: um em papel e outro no formato digital, com o objetivo de trazer empresas de fora para conhecer o mercado editorial brasileiro. Manzano pede para o setor editorial brasileiro olhar com mais atenção para a Feira do Livro de Guadalajara, no México, especialmente por esta ser a porta de entrada para o mercado editorial americano. Manzano diz também que Guadalajara oferece um nicho de mercado muito interessante, com possibilidades de grandes negócios dentro do mercado editorial.

É importante observar a lista do catálogo que contem as editoras associadas e também poder fazer parte dessa trupe. Catálogo online – editoras participantes do projeto Brazilian Publishers. E-mail: barzilianpushers@cbl.org.br; site http://www.brazilianpublishers.com.br. A Apex-Brasil tem regularmente uma tenda na Bienal do Livro de SP, com rodadas de negociações de âmbito internacional para circulação de produtos e conteúdos, exclusivamente para associados.

Nota importante: a Editora que desejar participar da Feira do Livro de Frankfurt deve inicialmente fazer parte da “Missão Cultura Exportadora” – dentro da Feira do Livro de Frankfurt – é muito importante participar antes de entrar efetivamente na Feira do Livro como expositor. Jamais pensar em fechar grandes negócios no primeiro ano de participação; deve participar das edições posteriores e na sequência sem nenhum intervalo entre um ano e outro; quem pensa em fechar negócios no primeiro ano está fadado ao fracasso, paciência é a palavra chave e arma do negócio; as Editoras devem se organizar para ir à Feira com um gasto por Feira de aproximadamente R$ 10.000, 00 (dez mil reais), os negócios só começam a surgir timidamente a partir dos 12 aos 18 meses).

Tudo deve ser organizado previamente com uma boa estratégia. Nenhum contato é feito no dia da Feira. Trata-se de uma feira muito focada e estratégica. Nada deve ser para ontem ou para já. Marcar encontros com muita gente ao mesmo tempo, uma furada, Forget, nenhuma chance. Tudo deve ser previamente acordado estrategicamente.

Trata-se de um espaço com aproximadamente 12 mil metros quadrados, se não me falha a memória. Nenhum capítulo de livro ou manuscrito original deve ser levado em língua portuguesa, para avaliação ou rodadas de negociações (se isso acontece é tempo perdido, ou seja, como se todo o trabalho fosse ‘jogado na lata do lixo’ – sendo olhado de soslaio e com certo desprezo). O Português ainda não tem potência como língua que serve para contatos e rodadas de negócios no cenário literário internacional, mas isso deve mudar nos próximos anos. Sendo assim, os textos devem ser levados em línguas Anglo-saxônicas e preferencialmente em Inglês e ou Germânicas, preferencialmente em Alemão.

Os canais de comunicações estão abertos e os diálogos estabelecidos. Portanto, é importante acrescentar que essas ações devem ser contínuas e permanentes e não apenas por ocasião e/ou homenagens ao Brasil como na Feira do Livro de Frankfurt, assim como as demais que virão na sequência.

As ações com as editoras associadas na Apex-Brasil estão concentradas no eixo RJ-SP: SP com 70%, RJ com 20 a 25%, e apenas 5% distribuídos entre BH, Curitiba e Porto Alegre, o NORDESTE “ZERO %” de participação nessas ações e na trupe de associados da Apex-Brasil. Mas isso pode mudar com ações efetivas e no desenrolar dos anos, especialmente com olhares voltados para o cenário literário de Salvador e Recife, ou, Bahia e Pernambuco (não sei ainda as reais intenções e o raio de ação da Apex-Brasil).

Fabio Lima – Fundação Biblioteca Nacional – Programa de Internacionalização do Livro e da Literatura Brasileira.
Há muitas informações sobre as ações do programa citado e constantemente novos editais. Entre eles um edital de fomento a tradução (8 mil dólares) e outro para publicação em editoras do grupo CPLP, com autores com livros publicados em editoras brasileiras na versão original em português; projetos como e-books etc. Há vários outros editais abertos no site oficial da FBN. Países com editoras que mais publicam escritores brasileiros: até 2010 era a França e a Espanha; atualmente a Alemanha é a primeira do Ranking. Demais informações disponíveis no site oficial da Fundação Biblioteca Nacional e demais sites vinculados. Todos devem estar atentos para as traduções para a Feira do Livro de Frankfurt (2013) e Bolonha (2014), ambas Homenageiam o Brasil em suas respectivas Feiras. Dez tradutores estrangeiros virão ao (já estão no) Brasil para fazer residência e traduzir obras de autores brasileiros que já foram publicadas no Brasil na versão original em português.

Nicole Witt – Agente Literária da Agência Literária Mertin – Frankfurt, Alemanha.

– A Agência Literária Mertin participa de várias Feiras de Livro: além da Feira do Livro de Frankfurt (Jürgen Boos é o responsável), também participa da Feira de Londres, Paris, Lisboa e Gotenburgo, e do lado de cá Buenos Aires e Guadalajara. A Feira do Livro de Frankfurt é a mais importante do mundo. Para se ter uma ideia a Feira de Frankfurt teve no ano passado (2012) o contingente de 7200 expositores, a segunda é a de Londres com 1962 expositores, em SP na Bienal deste ano (2012) serão 480 expositores (é quase uma agulha no palheiro em relação à Feira do Livro de Frankfurt), daí percebe-se o tamanho da importância desta Feira do Livro.

A Agente Literária parceira da Agência Literária Mertin no Brasil é Lucia Riff, com a Agência Literária Riff sediada no Rio de Janeiro.
Nicole Witt chama a atenção das editoras brasileiras para prestar mais atenção à Feira do Livro de Guadalajara, no México, especialmente por esta ser a porta de entrada para o mercado editorial americano e com grandes possibilidades de bons contratos. Witt diz que os brasileiros não estão dando a devida atenção para esta Feira. Também sinaliza que para participar da Feira de Frankfurt, as editoras devem estar bem preparadas e que paciência é fundamental para ser bem sucedida. E, caso pretenda participar uma única vez é melhor desistir, pois as coisas por lá só acontecem a partir dos 12 ou 18 meses. Nicole Witt diz que as agências literárias e os grandes conglomerados editoriais precisam ver as Editoras, no mínimo, nas duas Feiras seguintes para esboçar qualquer negociação. Caso intercale as idas, tudo começará do zero e assim por diante. Assim, tudo pode descer pelo ralo, inclusive o primeiro investimento feito.

A Agência Literária Mertin tem grande interesse em levar autores baianos para o seu catálogo, de modo contínuo e permanente e mais especificamente para a Feira do Livro de Frankfurt de 2013, a qual terá o Brasil como grande homenageado, assim como a de Bolonha e Guadalajara que virão na sequência.

Para finalizar devo dizer que os canais de comunicações foram abertos e os diálogos devem avançar nos próximos meses e anos. Agora é esperar cenas dos próximos capítulos. Foram quatro horas de encontro, então fiz apenas um resumo do ocorrido. Espero que tenha passado informações que tenham alguma valia, especialmente para as ações presentes e futuras das Editoras interessadas nessas inserções.

Também tenho novas informações que seguem nessa direção, pois estive no RJ discutindo sobre alguns destes assuntos, entre muitos outros, com Agentes literários/as europeus e americanos/as. A diferença é que lá a carga horária foi bem mais pesada, dois dias das 9 às 17. Assunto que segue numa segunda parte, na sequência desta exposição.

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