Arquivo da categoria ‘Conto’

Viajei para São Paulo para fugir da dita festa do rei momo e do chamado Carnaval. Fico pensando se François Rabelais estivesse vivo como estaria revirando-se no túmulo. Ou talvez sangrasse os tímpanos e os olhos. Enfim… Deixa isso pra lá. O fato é que além de ir lançar um livro por lá também fui rever alguns grandes amigos e amigas e, claro, perambular pela cidade como um andarilho errante, para saber o que estava rolando no cenário cultural.

A propósito, já foram ver “Esdrúxulo!”, na Casa das Rosas – Espaço Haroldo de Campos? A Casa das Rosas é um lugar interessantíssimo! Sempre pintava por lá quando morava em São Paulo, e agora não deixo de ir quando estou em terras paulistanas, sempre vou lá para saber o que está acontecendo naquele belo casarão encravado na Avenida Paulista…

“Esdrúxulo!”, para quem não está/estava muito acostumado com a poesia de Augusto dos Anjos e numa primeira vista parecia um troço bizarro, depois você acha bacana, porque aponta para um termo com certa polissemia, alta voltagem na poesia de Augusto dos Anjos. É. Trata-se de um sujeito controverso, de arrepiar a espinha e as estranhas. Há quem diga que sua poesia é pesada, escatológica, uma espécie de assombração para os nossos dias tão nebulosos, e os mais escrotos dizem ser uma poesia de carne apodrecida, de necrotério, no pior sentido dos termos. Ótimo! Os médicos agradecem, e muito! Entre um milhão de denominações para a poesia de Augusto dos Anjos, cito apenas uma para esta conversa: “Poesia Científica” ou “Ciência Poética”. E sabem onde tudo isso começou? É. Foi lá no Recife-PE séculos atrás! Esse nordeste é mesmo incrível, né não? Trilhões de traduções, críticas, textos, livros e estudos espalhados por todo o mundo, em lugares inimagináveis… Há quem diga ou pelo menos dizia que o lado de cá só há/havia mandacaru, macambira e terra gretada…tá…deixa isso pra lá.

Porra, Augusto dos Anjos, você é uma camarada injusto, sabia? Como é que faz uma coisa dessa com a gente? Escreve um livro e depois dá o fora deixando a gente aqui dentro desta canoa…deixa pra lá… Diante de um cara como esse, tenho até vergonha de colocar na orelha os nomes dos livros que publiquei… Mas isso já é outro assunto… Deixa isso pra lá… Para resumir, se ao ir embora depois de ter conferido a mostra você concluir que tudo aquilo lá não vale nada ou é algo um tanto bizarro, pelo menos sairá com uma certeza, você querendo ou não: “a certeza de que um dia você vai morrer”, mais cedo ou mais tarde. A questão é o que vai acontecer com o seu corpo e o que você vai fazer enquanto isso não acontece. Esse Augusto dos Anjos!, com um papo sempre reto e direto, sem firulas…

Opa! Tanto para aqueles que já conhecem quanto para os que ainda não conhecem a Casa das Rosas, então, ainda não terminei, porque ainda tem a parte lá de cima, principalmente para os que não conhecem, sigamos. Na parte superior tem aquela chamada mostra permanente com os trabalhos de Haroldo de Campos, passem lá e façam uma leitura, não precisa nem pegar um livro, visualmente mesmo já está de bom tamanho. Também tem a linda biblioteca, charmosa e aconchegante.

Dando uma olhada e fazendo uma leitura atenta, – é, sou muito atencioso quando estou nesses locais, não fui lá para selfs, tenho um corpo que se movimenta numa outra direção -, vi algumas revistas numa mesa de madeira, parecia jacarandá: um exemplar de um “Jornal de Poesia” com não mais que quatro páginas; dois ou três exemplares da “Revista Piauí” e um catatau da “Revista Pernambuco”. Por que será, hein? Tô aqui conversando com meus botões.

Dei uma folheada nas revistas e depois fui embora. Corram lá para dar uma apreciada, senão o bonde passa!

m.t.

Entrevista com Everardo Norões para o Portal Interpoética. Uma entrevista importante para pensar sobre as tomadas de posição do escritor contemporânea.

http://www.interpoetica.com/site/index.php?option=com_content&view=article&id=1793%3Aeverardo-noroes&catid=34%3Aentrevista&Itemid=27&fb_action_ids=927802520563942&fb_action_types=og.comments

Entrevista com Noemi Jaffe para o Jornal Rascunho. Uma entrevista importante para pensar sobre as tomadas de posição do escritor contemporânea.

http://rascunho.gazetadopovo.com.br/sem-vaidade/

Os números de 2014

Publicado: dezembro 30, 2014 em Conto

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2014 deste blog.

Aqui está um resumo:

Um bonde de São Francisco leva 60 pessoas. Este blog foi visitado cerca de 1.900 vezes em 2014. Se fosse um bonde, eram precisas 32 viagens para as transportar.

Clique aqui para ver o relatório completo

Montanhas do Congo: Floresta de Visoke e Vulcões de Virunga

…A cada dia fico mais convencido de que tenho extrema necessidade e cada vez mais desejo de ir a qualquer momento passar um tempo convivendo com os Gorilas nas montanhas do Congo, junto aos Vulcões de Virunga nas lindas Florestas de Visoke. Lá, nos confins da terra, onde talvez seja muito mais feliz e apreciado, na companhia de uma chuva fina e intermitente, onde o sol nasce mais cedo e a poesia emerge dos vulcões…

Um Retrato do Autor Pela Crítica: BERNARDO CARVALHO
Por Marcos Torres

Este texto faz parte de uma coletânea de três ensaios que foram apresentados em Seminários e Fórum de Literatura Brasileira Contemporânea na UFBA e UFRJ.

Um Retrato do Autor Pela Crítica

[Sem título]

Publicado: março 19, 2014 em Conto

[Sem título]

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Revista de Conto Flaubert

Publicado: março 18, 2014 em Conto

Revista de Conto Flaubert

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Seminário de Estudos sobre o Espaço Biográfico

Programacao do SEMEB

MORAL ESQUECIDA

Publicado: agosto 6, 2013 em Conto

MORAL ESQUECIDA

Este final de semana li um artigo de João Ubaldo Ribeiro (doravante J.U.R.), “Nós, os desordeiros”, publicado na “Revista Veja” em 7 de agosto de 2013 (curiosamente, a revista é entregue nas bancas e nas residências antes da data de sua publicação impressa na capa). Confesso que em muitos momentos tenho posições muito divergentes das de J.U.R. (nada de novo e tudo perfeitamente natural entre sujeitos críticos). Preciso dizer que não estou falando do J.U.R. escritor ou colunista e sim do J.U.R., cidadão, pessoa física, embora saiba que pode haver uma imbricação entre os dois sujeitos, não há como saber qual o limite entre um e outro. Em relação a este artigo eu concordo plenamente com as reflexões e críticas de J.U.R.

Uma parte significativa da sociedade vive “imersa num mar de pequenas delinquências cotidianas.” Os valores morais parecem degradados ou mesmo numa UTI em estado quase vegetativo. Concordo com J.U.R., pois presencio isso quase cotidianamente, infelizmente. Conforme havia dito, há uma parte significativa da população que não consegue viver com os aparatos mais triviais de convivência nas suas relações sociais e afetivas; comportamentos simples do cotidiano que veio desde as primeiras civilizações, nada de novo sob este céu nublado e sem explicações.

Há um julgamento de toda ordem cujo outro é sempre o algoz. Os reflexos no espelho ficam nos espaços colaterais ou no rodapé da vida social, muitas vezes sem a menor importância. Os conceitos de bondade, generosidade, honestidade, solidariedade, cordialidade são muito contraditórios e muitas vezes duvidosos. A televisão e muitos jornais colocam em suas manchetes uma atitude ensinada desde as primeiras formações das sociedades antigas, nada de novo. Usam essas manchetes como algo espetacular que deve ser ‘ensinado’ curiosamente para uma sociedade tida atualmente como de povos bárbaros e selvagens ou mesmo sem o mínimo de escrúpulo no sentido lato dos termos, mesmo que a intenção seja ‘ensinar’ outra coisa.

Há uma dicção moralista muitas vezes tão rala quanto as cinzas de um fósforo. A sociedade ainda cultiva suas referências, mas o senso moral parece esquecido.

Não digo que fiquei totalmente satisfeito com o referido artigo, pois há uma comparação feita por J.U.R. que discordo: “Sem senso moral, o homem é um bicho ou um psicopata.” Vejo um pouco de exagero nessas comparações. É um “bicho”? Qual bicho seria então? Parece-me que todos os “bichos” têm o seu papel na natureza e inclusive giram num outro ‘time’. O homem como um psicopata também me parece um pouco demais; conheço um pouco sobre o conceito de psicopatia e entendo que talvez este termo não seja adequado para esta ocasião. Discordo dos dois termos utilizados, bicho e psicopata, mesmo sendo ambos utilizados como metáforas.

Abre aspas: Não existe nenhuma sapiência nestas minhas palavras, tudo já foi dito desde os primeiros sopros na terra. Então, muito cuidado aqueles e aquelas que de vez em quando chamam alguém de macaco ou gorila (isso jamais deveria acontecer, mas, como as utopias são sempre muito cambiantes, não custa nada sinalizar), lembrem-se dos macacos e gorilas do Congo que vivem em plena harmonia e jamais derrubam uma árvore ou jamais tiram algo da natureza além de suas necessidades. (Só para relembrar, eles são bichos, viu). Muitas vezes acolhem e aceitam um homem como se fosse parte de sua família, no exato oposto de muitos sujeitos que muitas vezes desprezam os seus ‘semelhantes’.

Um dia irei ao Congo buscar um pouco da sabedoria dos gorilas e dos macacos que vivem serenamente nas lindas florestas de Visoke, no Congo, além das montanhas e vulcões de Virunga. Talvez aprenda algo com a sabedoria deste grupo de seres vivos, e de volta traga um pouquinho de sua sapiência e deixe para trás esta tamanha estupidez!!!

Marcos Torres