António Lobo Antunes

Publicado: maio 8, 2015 em Crônicas Urbanas

“Eu só sou o António Lobo Antunes com o papel na mão. Sem o papel na mão, sou um chato.”

António Lobo Antunes: “Não tenho muito jeito para viver”

Como são os dias de alguém que dedica uma vida inteira à escrita? No momento em que chega às livrarias Caminho Como uma Casa em Chamas, aqui fica o relato de uma entrevista com o escritor, entrecortada com “a pavorosa realidade” do quotidiano

 Não gosta de conversas, de entrevistas então ainda menos. “A única coisa a que os leitores têm direito são os livros”, costuma afirmar António Lobo Antunes, 72 anos. Com isto, o escritor quer dizer que o que importa é a literatura. E também que não se esperem grandes revelações sobre a sua vida privada: “Tenho relações de intimidade com duas ou três pessoas.” Do dia a dia de Lobo Antunes há apenas algumas coisas que perpassam nas crónicas que publica na VISÃO, sobretudo nas que se aproximam mais do género diário pessoal.

“Eu só sou o António Lobo Antunes com o papel na mão. Sem o papel na mão, sou um chato.”

Não, não é um chato. Apesar de todas as angústias, António Lobo Antunes mantém um sentido de humor de que vale a pena falar. Adora uma pequena história, um diálogo sem nexo, uma incongruência divertida. É capaz de se rir até às lágrimas de uma frase possidónia proferida por alguém, não importa quem. E de voltar a contá-la, acrescentando-lhe uma graça que nem todos poderão gabar-se de possuir. Lobo Antunes tem, isso sim, uma vida rotineira, uma vida de dedicação total à escrita. E, ao mesmo tempo que diz  escrever porque não sabe fazer mais nada, também é capaz de dizer que está cansado de tudo.

“No princípio só vinha para aqui escrever. Já estou farto, apetece-me mudar de sítio. Nunca aguento muito tempo numa casa. Passado uns tempos, começo a ficar cansado. Não sei o que é e, sobretudo, não sei até que ponto é que quando estou a dizer que estou farto desta casa, não posso estar a dizer ‘estou farto de mim’.”  

Vem aí uma daquelas alturas. António Lobo Antunes já acabou de escrever a primeira versão do livro (o terceiro depois deste que agora chega às livrarias, Caminho Como uma Casa em Chamas, sendo que, pelo meio, ainda terminou outro, que sairá no próximo ano) e tem em cima da sua mesa de trabalho um monte de folhas A4 que é preciso rever e cortar, cortar e rever. Anda às voltas com uma personagem, uma surda-muda que lá aparece. E lembra-se dela, a propósito de nada, antes de, na Avenida de Roma, entrar para o dentista onde há meses passa duas tardes por semana.

“- Não tenho muito tempo livre.

– E o que faz nos intervalos dos livros, quando não está a escrever?

– Coisas inconfessáveis [risos].”

Os dias estão mais frios e, às quintas-feiras, já não há jantar em casa dos pais, em Benfica. A mãe, Margarida, morreu quase há dois meses; um dos irmãos, Pedro, vai fazer um ano. Na semana passada, pela primeira vez depois da morte da mãe, o seu irmão João, o neurocirurgião, convidou os manos para jantar. Da casa da infância, António Lobo Antunes só quis trazer uma fotografia da mãe. Tem-na, emoldurada, nova, bem vestida e elegante, rodeada de estantes com livros até ao teto, de frases escritas na parede, de quadros pintados por Júlio Pomar.

“Nos hospitais, vi muita gente morrer, mas nunca vi ninguém chamar pelo pai. Agora olho para aquele retrato e penso: é a minha mãe. Só com a morte dela é que me dei conta da sua importância. Há aquela frase de Conrad tão dramaticamente verdadeira: tudo o que a vida nos pode dar é um certo conhecimento sobre ela que chega tarde demais.” 

Impressiona qualquer um, a quantidade de frases que António Lobo Antunes sabe de cor. Poemas, bocados de livros, diálogos, histórias. Sim, memória de elefante. As suas entrevistas estão cheias de citações, como se houvesse sempre uma à medida de cada pergunta jornalística. Já se disse aqui que não gosta de entrevistas, “uma espécie de interrogatório policial” (acha o próprio) durante as quais o alegado suspeito não larga a sua personagem (acrescentamos nós). E este, em concreto, diz apenas o que quer. Nos últimos tempos, por exemplo, tem-lhe apetecido dizer mal do Governo.

“Os portugueses merecem muito melhor, merecem muito mais do que o Governo que têm, muito mais do que a maneira como os obrigam a viver. Já ouviu um discurso do primeiro-ministro? A quantidade de erros de português que ele dá… Como é que podemos ser governados por pessoas que nem sequer sabem falar português? Não posso com esta mediocridade, com este vazio de ideias, com esta mentira constante. ‘Decisão irrevogável’? O meu pai nunca admitiria que um filho seu voltasse atrás com a palavra. E isto passa-se no mundo inteiro. Há pouco tempo, George Steiner comentou comigo que nenhum dos bons alunos de Cambridge ia para a política: só os medíocres vão para a política.” 

António Lobo Antunes sobreviveu a mais um cancro. A dois, um em cada pulmão. O médico que o assistiu disse que o curava – e curou. Faz exames regulares, come rebuçados de mentol para ver se consegue reduzir o número de cigarros que ainda fuma. Fica com a boca impregnada de mentol. E continua a fumar. “Dá-me prazer.” Tirando as viagens ao estrangeiro, sempre por causa dos livros, pouco sai de casa. Não vai de férias, nem de fim de semana (houve um tempo em que, como os magalas, tirava as tardes de sábado).

“Não tenho muito jeito para viver. E acho que os livros são a minha redenção.” 

Escreve dez horas por dia, sete dias por semana, com uma disciplina que poucos escritores no mundo devem ter. E a vida só existe assim. Umas vezes, os livros são tudo. Outras vezes, são “só papéis”: “O que é isto comparado com a pavorosa realidade de, daqui a nada, estar no dentista?”. É capaz de fazer, de enfiada, seis crónicas, “prosinhas”, para depois regressar ao livro sem interrupções (o galope é outro, já explicou várias vezes). Almoça num dos cafés do bairro onde vive, o Conde Redondo. O prato do dia e, muitas vezes, uma sobremesa (tem gostos de garoto, pede leite-creme ou mousse de chocolate). Recebe visitas de meia dúzia de pessoas, três filhas, amigos, a editora Maria da Piedade Ferreira. E telefona a outra meia dúzia. De resto, está sempre ali, a escrever. Contabilidade bibliográfica: 25 livros (não quer que lhes chamem romances), mais cinco volumes de crónicas.

“A presença das pessoas não me incomoda nada. Desde que não falem comigo, escrevo em qualquer sítio. A Agustina dizia que, se fosse preciso, até escrevia numa cabina telefónica.” 

Conta-se que, quando terminava um livro, Iris Murdoch dava uma volta ao quarteirão e começava logo a escrever outro. No caso de António Lobo Antunes, os intervalos entre os livros duram três ou quatro longos meses. Nessas alturas, lê tudo o que apanha. Romance, ensaio, poesia. O que quer voltar a ler, o que gosta muito de ler (Tolstoi e Dostoievski, ditos com a bonita pronúncia que um amigo, professor de literatura russa, lhe ensinou), o que vai saindo, o que lhe mandam. É um grande leitor.

“Quando uma pessoa tem talento, percebe-se logo. Às vezes até na cara se percebe. As pessoas com talento têm uma certa aura. Marlon Brando pode estar metido num cantinho da tela, mas nós só reparamos nele quando olhamos para lá. Uma vez, vi Chagall a pintar os tetos da ópera de Nova Iorque. Era um homem de 80 e tal anos, pequenino, feiíssimo, estava sentado no chão a trabalhar e, no entanto, eu não consegui tirar os olhos dele.” 

Depois, há um dia em que marca uma data no calendário, para se obrigar a si próprio a começar. Não faz concessões de espécie nenhuma. As personagens não têm nome, os livros não obedecem a um plano organizado, têm o número de páginas que precisam de ter. Nas entrevistas, fala pouco (“Não tenho nada para dizer”) e quase nada sobre o livro que é suposto ser promovido. Tem por hábito citar D. Francisco Manuel de Melo: “De que trata o livro? O livro trata do que vai escrito dentro.”“Gosto das pessoas que têm cara de quem vive. E isso não tem a ver com beleza. Normalmente, as pessoas que eu acho atraentes não são bonitas, têm um charme lento, que eu não sei explicar. Acontece-me o mesmo com as cidades. Não gostei nada de Paris nas primeiras vezes que lá fui, mas depois, a pouco e pouco, aquilo vai entrando dentro de nós. Não há nada a fazer, o talento é como um berlinde na mão, ou se nasce com ele ou não se nasce. O grande Curro Romero (conhece Curro Romero, o imortal toureiro?) tinha uma frase que explicava isto: o que não se pode não se pode e, além disso, é impossível.” 

Lobo Antunes mudou-se para o Conde Redondo há meia dúzia de anos. Começou por escrever num rés do chão transformado em ateliê de design que pertencia a um primo bastante mais novo (José Maria Nolasco, que, entretanto, morreu). Era um sítio escuro e frio, no inverno chegava a escrever de luvas e casaco. Depois, Tereza Coelho, a sua antiga editora, que também já morreu, descobriu a casa onde hoje vive (“onde estou”, prefere dizer) e insistiu em que ele viesse para aqui.

“Comprei esta casa com o dinheiro de uma tradução de um livro que vendi para Espanha.”

A casa – num prédio recuperado, com grandes janelas a toda a largura da fachada – não fica longe do Hospital Miguel Bombarda, onde, quando ainda exercia psiquiatria, passava muito do seu tempo. Isso, agora, já não lhe diz nada. Entra e sai da garagem e, quando sai a pé, não passa do virar da esquina (isto não se devia divulgar, mas atravessa a estrada fora da passadeira, quase sem olhar). Quando alguém, seu leitor, se aproxima, fica satisfeito.

“É agradável as pessoas gostarem do nosso trabalho. Temos uma sede infinita de amor. E de reconhecimento. Por muito certos que estejamos do nosso talento e da nossa capacidade de escrever.”

E agora que – graças a um superaparelho que lhe “ressuscitou” um ouvido quase morto – ouve melhor, já nem tem a desculpa da surdez para fingir que não ouve.

um dos últimos remanescentes de um mundo perdido

http://alias.estadao.com.br/noticias/geral,ele-dizia-nao,1679867

LIVRARIA TIMBRE – SHOPPING DA GÁVEA
DATA: 11 DE JUNHO DE 2015
HORÁRIO: DAS 19:00 ÀS 22:00 HS

LANÇAMENTO NA LIVRARIA TIMBRE - RJ

LANÇAMENTO NO RIO DE JANEIRO

Publicado: abril 22, 2015 em Poesia

EM BREVE LANÇAMENTO NA LENDÁRIA LIVRARIA TIMBRE – SHOPPING DA GÁVEA – RIO DE JANEIRO.

CORVOS E MALTRAPILHOS – POEMAS ÁCIDOS

SINOPSE

Corvos e Maltrapilhos – Poemas Ácidos é composto de poemas ácidos que deixam uma cratera em nosso mundo conturbado, maltrapilho e esquálido, cujo abutre espera pacientemente para devorar sua carne e saborear seus detritos. Este livro é pura acidez, que busca de alguma maneira resgatar o sujeito “pós-humano e o pouco de humanidade que ainda lhe resta. Não se trata de apresentar uma mera dualidade entre forças opostas. O uso do termo ‘corvo’ que representa o animal da natureza que vive por puro instinto não é para qualificar o animal, é sim para apresentar o contexto de podridão e seus detritos em que o sujeito pós-humano está mergulhado neste mar de carnificina, enquanto maltrapilhos e esquálidos morrem a conta gotas do outro lado da rua deitado numa marquise como um deus molambo no meio do nada num lugar sem endereço.

Capa Livro Corvos e Maltrapilhos - Poemas Ácidosimage

Mais informações acesse os links abaixo:

Portal G1 e TV Grande Rio Petrolina:

http://g1.globo.com/pe/petrolina-regiao/noticia/2015/03/livro-corvos-e-maltrapilhos-poemas-acidos-e-lancado-em-petrolina-pe.html

Página Didi Galvão:

http://didigalvao.com/blog/marcos-torres-lanca-livro-de-poemas-neste-sabado-14-na-sbs-livraria-de-petrolina/

Por Maria Esther Maciel

Abordar as múltiplas vozes que se entrecruzam na poesia brasileira contemporânea é lidar com um cenário por demais movediço e difícil de ser definido. Mesmo porque o próprio termo “contemporâneo” quase sempre dá margem a dúvidas e nebulosidades conceituais. O que seria exatamente o contemporâneo? Que extensão temporal teria essa designação? É possível definir o começo do que chamamos contemporaneidade? Ou seria melhor admitir que todo marco inicial revela-se um começo arbitrário para o que não pode ser mensurado temporalmente de forma satisfatória? Há quem circunscreva a poesia brasileira contemporânea ao conjunto da produção existente a partir da segunda metade do século 20, após o ocaso dos movimentos e projetos coletivos que nortearam a poesia moderna e de vanguarda. Outros já tendem a adotar a década de 80 como o marco inicial preciso, enquanto cresce a propensão de muita gente a circunscrever o contemporâneo apenas ao século 21, ou melhor, às suas primeiras décadas. O que evidencia uma vocação cada vez mais ostensiva do termo a se adaptar ao agora imediato. E disso, decorre, inevitavelmente, a imprecisão que o contemporâneo instaura, ao manter uma singular relação com o próprio tempo, sem deixar de alojar também todos os tempos que se entrecruzam no presente.

(…)

http://www.revistapessoa.com/2015/03/um-breve-olhar-sobre-a-poesia-brasileira-contemporanea/

“Roth Libertado”

Publicado: março 27, 2015 em Conto

Livro de jornalista da New Yorker conta detalhes da vida do escritor Philip Roth ao mesmo tempo em que analisa cada um de seus livros

Costuma-se dizer, no meio literário, que a real importância de um escritor só pode ser medida após 20 anos – ou mais – de sua morte. Isso não chega a ser uma regra, mas há exceções. José Saramago, J.M. Coetzee e Alice Munro são alguns exemplos, mas o maior deles talvez seja Philip Roth.

Texto na íntegra aqui:

http://brasileiros.com.br/2015/03/roth-destrinchado/

Tempo dos poetas menores

Publicado: março 27, 2015 em Poesia

O tempo dos poetas menores está chegando _ anunciou o poeta sérvio Charles Simic no fim dos anos 1980. “Adeus Whitman, Dickinson, Frost. Bem-vindos vocês cuja fama nunca crescerá além da família próxima, e talvez um ou dois bons amigos reunidos depois do jantar para beber um jarro de vinho tinto”. Encontro as encorajadoras propostas de Simic em um dos ensaios de “Arte da pequena reflexão”, livro do poeta Fernando Paixão (Iluminuras) dedicado ao estudo do poema em prosa contemporâneo. Nascido em Belgrado mas radicado nos Estados Unidos, Simic é um poeta do movimento e da expansão.

Texto na íntegra aqui:

http://oglobo.globo.com/blogs/literatura/posts/2014/11/26/tempo-dos-poetas-menores-553936.asp

POEMA-RESPOSTA-MANIFESTO

Publicado: março 18, 2015 em Poesia

PARA QUE E POR QUE ESCREVER POESIA?

 

“onde eu nasci passa um rio
e o tempo voa
como um passarinho”

*Euvaldo Macedo Filho

*Faço de algumas palavras deste Grande Fotógrafo e Poeta as minhas.

sei pouco expressar-me a não ser por meio de palavras e gestos cuja poesia é o meu maior combustível. gosto de expressar-me por meio da poesia, “minha aproximação pessoal dos mistérios, do grande mistério que é viver. fascínio”. escrevo poesia “para manter-me são. o mundo a minha volta é cheio de loucuras, feiuras”, escrevo poesia “para me salvar do cotidiano triste”, a poesia “é um instrumento e eu a uso para criação. ela dá-me equilíbrio e às vezes me faz feliz.” a poesia, “- para mim – é um instrumento mágico onde eu toco, a fuga dos instantes no tempo.”

Algumas pessoas vivem me perguntando “POR QUE” eu insisto escrever poesia, ou pelo menos aquilo que assino como tal. Mesmo com tantas visões negativas em torno dela. Mas isso não é nada novo, já vem lá de Platão. Talvez antes. Enfim. Ando pensando sobre o assunto. Ainda não tenho uma resposta e nem sei se um dia terei. Por outro lado fico pensando se existe de fato algum “PORQUÊ” para responder tal exigência. Não sei se o que vou dizer tem alguma validade. Sou desconfiado! Ainda assim arrisco algumas respostas, nem que seja em um estágio temporário:

POEMA-RESPOSTA-MANISFESTO

Escrevo poesia para “catar feijão”…

Escrevo poesia para conversar com as pedras…

Escrevo poesia para falar “sobre nada”…

Escrevo poesia para conversar com fantasmas e assombrações

nas janelas dos dias e em noites de escuridão…

Escrevo poesia ao saber sobre o desprezo ao lixo… Gosto do lixo, nos termos de camaradas como Manoel de Barros e Arthur Rimbaud… O lixo era algo que fazia parte de muitos dos poemas feitos por este último e outros intermináveis pairando por aí como espectros…

Escrevo poesia quando vejo um coração sangrar, inclusive o meu, que às vezes junto com o corpo fica em cacarecos, assim como tantos outros…

Escrevo poesia ao ver a Dor e o Desespero estampados nos rostos…

Escrevo poesia ao existir pessoas comendo uma pedra em vez de um pedaço de pão…

Escrevo poesia ao pensar no burguês dormindo numa suíte e no maltrapilho tentando ajustar seu corpo no canto de uma parede embaixo de uma marquise vendo a lua por entre os prédios…

Escrevo poesia ao notar corpos em estado vegetativo, este último termo está impregnado de verdades e metáforas…

Escrevo poesia por ficar aliviado ao saber que moro na esquina do suicídio…

Escrevo poesia ao saber que existe a morte nesse mundo de quinquilharias…

Escrevo poesia ao notar pessoas nutrindo esperanças como uma planta esperando a chuva…

Escrevo poesia ao perceber pessoas querendo um abraço e pedindo um afeto. Pessoas próximas já têm a minha presença e meu corpo e não precisam de tantas palavras escritas numa folha de papel. Só em momentos raros e especiais…

Escrevo poesia ao ver a liberdade lá no horizonte, nem que seja pela luz de um vaga-lume… Não gosto de escrever versos para Alexandre da França nem ficar na bainha da saia de Elisabeth… “… um jogo nas mãos de inúmeras gerações idiotas”… e surgindo cada vez mais, disse um dia Arthur Rimbaud. Ele tinha lá suas razões. Ele tinha em mente suas exceções…

Escrevo poesia ao me deparar constantemente com engodo, falsidade em atacado,

hipocrisia em promoção como um produto vendido a varejo nas prateleiras dos supermercados, e segregação de todo o tipo, praticante de necrofilia na couraça de um Kraken, tão apavorante quanto àquela dos católicos na Santa Inquisição, espantosamente também vindo de quem pensa lutar contra essas coisas e na prática segue no exato oposto, uma realidade ao contrário…

Vive em profundezas e subterrâneos comendo carnes como canibais…

Vejo sanguessugas, mercenários e bárbaros escondidos nas sombras…

Predadores vorazes, morcegos e vampiros mergulhados numa espuma de bile…

Escrevo poesia para usá-la como antídoto contra cães selvagens…

Escrevo poesia para ver com uma lente um rio caudaloso e abjeto e em derrisão…

Escrevo poesia ao ver em muitos momentos um mundo cruel, injusto e sanguinário…

Se fosse o contrário eu não perderia o meu tempo e iria para o topo de uma montanha tendo mais tempo para contemplar a natureza e ver o sol escondendo-se atrás dos rochedos…

Escrevo poesia para respirar, para não morrer tão rapidamente, mas aos pouquinhos,

aos pouquinhos…sou apenas uma força da natureza e nada mais…nesta viagem, estou apenas de passagem…

Escrevo poesia…

DESENCANTO

Manuel Bandeira

Eu faço versos como quem chora

De desalento… de desencanto…

Fecha o meu livro, se por agora

Não tens motivo nenhum de pranto.

Meu verso é sangue. Volúpia ardente…

Tristeza esparsa… remorso vão…

Dói-me nas veias. Amargo e quente,

Cai, gota a gota, no coração.

E nestes versos de angústia rouca

Assim dos lábios a vida corre,

Deixando um acre sabor na boca.

– Eu faço versos como quem morre.

Manuel Bandeira sintetiza bem o que eu penso sobre o fazer poético. Essa é a minha miragem. É a minha Verdade da poesia, pelo menos para mim mesmo. O que para mim já é o bastante.

Embora muitos talvez pensem o contrário, acredito nesse poema de Manuel Bandeira sendo uma poesia muito positiva em relação à vida e a uma certa realidade, que, de alguma maneira, nos cerca todos os dias…

Eu escrevo poesia! Em resumo fico cada vez mais convencido de que definitivamente não existe UM “PORQUÊ”.

marcos torres

Salvador, 14 de março de 2015.

PARA QUE E POR QUE ESCREVER POESIA

Mariposa Cartonera: Edição Especial

Publicado: março 17, 2015 em Eventos

Conheçam todo o Projeto e Participem. Divulguem. Compartilhem.

http://www.kickante.com.br/campanhas/mariposa-cartonera-edicao-especial

Estamos chegando na reta final, um momento crucial para nossa campanha. Estamos trabalhando fortemente nessa campanha e precisamos muito de pessoas como você.

Ajuda-nos a fazer muito barulho? Pedimos que envie esse email para seus amigos, familiares, conhecidos, que compartilhe na sua rede social, que una-se a nós nessa fantástica tarefa de tirar projetos do papel! Vamos gritar ao Brasil:

Apoio Mariposa Cartonera: Edição Especial!

Vamos kickar?

Facebook | Twitter

Quer contribuir com um valor extra e ganhar mais recompensas?

Sim, quero fazer uma nova contribuição!

Sozinhos somos um, mas juntos somos uma multidão!

Agradecemos demais o seu apoio. Vamos kickar!
Wellington de Melo

CORVOS E MALTRAPILHOS – POEMAS ÁCIDOS

Capa Livro Corvos e Maltrapilhos - Poemas Ácidos

CORVOS E MALTRAPILHOS SINOPSE E CARTA DE AGRADECIMENTOS

SINOPSE – CARTA DE AGRADECIMENTO

CORVOS E MALTRAPILHOS – POEMAS ÁCIDOS
Petrolina-PE
Lançamento dia 14 de março de 2015 na SBS Livraria Internacional.
Salão Vanilla das 19:00 às 22:00 HS.

SINOPSE
Sinopse – disponibilizada no site da Editora Mondrongo:

Esse é um livro trabalhado na maioria das vezes nas suas formas mais diminutas e tem uma linha poético-filosófica. Os poemas rompem o conceito Saussuriano no tocante à arbitrariedade dos signos como o resultado da junção entre significante e significado, para potencializar sua significação a partir de certa experiência de leitura e conhecimento de mundo a partir da relação entre sujeito e objeto. Mas não se trata da Filosofia contemplativa como algo sublime, não neste caso, ao contrário, é uma filosofia conectada ao contexto urbano e suas contradições, expondo vísceras de uma burguesia que trata com indiferença vidas e culturas alhures.

http://www.mondrongo.com.br/index.php?pg=noticia&id=48

Sinopse – disponibilizada no site da Livraria Martins Fonte Paulista:

Corvos e Maltrapilhos – Poemas Ácidos é composto de poemas ácidos que deixam uma cratera em nosso mundo conturbado, maltrapilho e esquálido, cujo abutre espera pacientemente para devorar sua carne e saborear seus detritos. Este livro é pura acidez, que busca de alguma maneira resgatar o sujeito “pós-humano” e o pouco de humanidade que ainda lhe resta. Não se trata de apresentar uma mera dualidade entre forças opostas. O uso do termo ‘corvo’ que representa o animal da natureza que vive por puro instinto não é para qualificar o animal, é sim para apresentar o contexto de podridão e seus detritos em que o sujeito pós-humano está mergulhado neste mar de carnificina, enquanto maltrapilhos e esquálidos morrem a conta gotas do outro lado da rua deitado numa marquise como um deus molambo no meio do nada num lugar sem endereço.

http://www.martinsfontespaulista.com.br/corvos-e-maltrapilhos-482897.aspx/p

UM POUCO SOBRE MINHA RELAÇÃO COM A LITERATURA PERNAMBUCANA

Para mim é uma honra poder lançar um livro em terras pernambucanas. Devo dizer que sempre acompanho o cenário literário pernambucano desde muito novo, quando ainda era um adolescente, lá por volta dos meus 12 ou 13 anos quando comecei a ler “literatura, prosa e poesia e os primeiros poemas de gente grande”: João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Nelson Rodrigues, cito apenas alguns, e o camarada que apesar de ter nascido na Paraíba também viveu por lá, Augusto dos Anjos, este último dando os primeiros passos para aquilo que seria conhecido mais tarde como “Poesia Científica” ou “Ciência Poética”, poesia que teve maior repercussão a partir de Recife na segunda metade do Século XIX. Escritores pernambucanos longevos e novos e outros que moraram em Pernambuco, como foi o caso de Augusto dos Anjos, foram e são muito importantes na minha relação com a literatura até então. Assim como os grandes escritores longevos e novos daqui da Bahia também foram e são importantes na minha trajetória literária até os nossos dias.

CARTA DE AGRADECIMENTO

Inicialmente devo agradecer e desde já mostrar toda minha gratidão a duas figuras importantes do Cenário Literário de Petrolina, entre suas múltiplas funções, a professora e colunista do Portal Interpoética Elisabet Gonçalves Moreira e ao poeta, jornalista e publicitário Carlos Laerte, pelo convite e por toda colaboração, apoio, assessoria de imprensa e todo o suporte a mim disponível. Sem essas duas pessoas minha ida a Petrolina definitivamente não seria possível. Fica aqui desde já toda minha gratidão!

Agradeço todo o acolhimento da SBS Livraria de Petrolina e à disponibilidade do “Espaço Salão Vanilla” para receber o lançamento do livro Corvos e Maltrapilhos – Poemas Ácidos.

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http://www.sbs.com.br/storelocator/view/detail/id/51/

Agradeço à GER – Gerência Regional da Secretaria de Educação do Médio São Francisco – Petrolina-PE, pela hospedagem e todo suporte a mim disponível – em nome da gestora e professora Anete Ferraz.

http://www.educacao.pe.gov.br/portal/?pag=1&men=107

Registro o meu agradecimento à CLAS Comunicação & Marketing, pela Assessoria de Imprensa – Em nome do poeta, jornalista e publicitário Carlos Laerte.
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Registro o meu agradecimento à professora e colunista do Portal Interpoética Elisabet Gonçalves Moreira, pela colaboração, apoio e divulgação do evento em seus diversos espaços de comunicação disponíveis.

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http://www.interpoetica.com/site/

Agradeço à colaboração e divulgação no Portal Cultural Guia do Ócio – em nome do jornalista Antonio Moreno e seus colaboradores.
http://guiadoocio.site-oficial.ws/

Agradeço à colaboração e divulgação no Portal Cultural Aldeia Nagô – em nome do jornalista Helder Barbosa e seus colaboradores.
http://www.aldeianago.com.br/

Saudações Literárias

Att.

Marcos Torres

Salvador, Bahia, 08 de março de 2015