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narrativa cotidiana

Publicado: junho 27, 2016 em Crônicas Urbanas, Poesia

…passo suspenso…

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narrativa cotidiana

Publicado: junho 27, 2016 em Crônicas Urbanas, Poesia

…caldeirão de histórias e memórias…SAM_0005

 

 

  1. mãos. olhos. cores. corações. corpos. tintas. imagens. sons. ruídos. material. matéria. percepções. potências. metamorfoses. o outro nu outro. nos importamos? importa? caldeirão de histórias e memórias cozinhando numa panela preta. medo. mundo. mudo. solidão. frio. formas. força. fome. fogo. água. alimento. ação. arte. aqui, posso dormir sossegado, depois acordo para conversar com meus pares e outros corpos que seguem em sentido contrário.

em algum banco de pedra do largo da batata – sp – brasil                                                                                                                                                                                    

marcos torres

foto e vídeo

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  1. sampa. como traduzir este cruzamento com seus semáforos, ruas e calçadas. hoje, quando chego por aqui quase nada entendo. tudo está mudado. nenhuma nostalgia detém a velocidade dos carros e os passos vagos dos transeuntes. já não observamos mais as árvores nem o sol com lágrimas nos olhos. tudo parece febril. rostos pálidos, nenhum sorriso. nenhum tronco ereto. corpos contorcidos em ângulo de antigos vassalos, cada vez mais inclinados em direção ao chão. nenhum olho consegue mais ver o horizonte. pálpebras baixas furando o chão. tombo. tombo. mais tombo… e estas tuas esquinas me olhando de soslaio. este espelho de narciso apavorado e feio. será que ainda somos mutantes? ou talvez seja um novo começo da cidade, da realidade, do avesso, das coisas belas, do povo oprimido nas filas, vilas, favelas, substituídas pelas estrelas apagadas. onde estará o céu, os espaços, as florestas, a chuva? há um novo quilombo, uma nova américa, uma nova áfrica, uma nova garoa pra gente curtir numa boa?… o que fazer neste entrelugar onde o sinal parece fechado?…pra onde eu sigo?…

em algum lugar no cruzamento da avenida são joão com a avenida ipiranga – sp – brasil.

marcos torres

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18.2 …e eu aqui parado neste entrelugar onde os corpos são bifurcados.

avenida são joão X avenida ipiranga – sp – brasil

 marcos torres

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16. voz do livro. estou em algum lugar desta avenida em constante estado de convulsão. aqui deitado neste chão de pedra e betume. os semáforos trocam suas cores e ouço buzinas enfurecidas pisando no asfalto quente com suas latarias. as ruas estão abarrotadas de gente perambulando de um lado para o outro e ninguém me escuta. aliás, todo mundo fala e ninguém quer escutar. será que um dia ainda haverá alguém para escutar? alguém escreveu um dia que somos seres insignificantes comparados às constelações e ebulições do universo, se o mundo eclipsasse neste exato momento não passaríamos de uma poeira quase invisível, um nada diante de explosões luminosas e vulcânicas. as posições espaços lugares são transitórios, não esqueçam, nunca serão para sempre até que a morte os separe. não alimentem ilusões sem sentido. qual a dificuldade de perceber que logo logo você será um cadáver, frio e esquecido?, como escreveu uma única vez um certo augusto. antes disso e em muito pouco tempo você pode vir a ser algo tão insignificante quanto uma folha seca esquecida na beira de uma estrada empoeirada onde ninguém passa por lá…o mundo tem pouca memória, acorde!… enquanto isso fico mudo deitado neste chão ardente e rude…
em algum lugar da avenida paulista. são paulo – sp – brasil.

marcos torres

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  1. quatro pilares. um teto de concreto. em cima, tintas seculares. lá embaixo, corpos esquálidos amontoados sobre os paralelepípedos, aquecendo uns aos outros. nessa zona de ausências cada um carrega sua própria humanidade, vigiados e punidos pelos olhares indiferentes dos automóveis no outro lado da rua. na mão e contramão a poluição segue no chão ardente para endereços incertos. e eu fico aqui ereto, no canto desta parede, com meu corpo-celulose dividido em páginas-silêncio… perto de algum lugar lá em cima no teto de cimento protegendo nomes mortos, guardados por paredes brutas… são paulo – sp – brasil                                                                      marcos torres

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14. jangadas lançadas ao mar. vento soprando. água azul-turquesa. sonhos soprados por um vento vindo do leste. corpos misturados. as luzes do verão acende a paisagem. luz. sol. calor. aqui, não parece ter geografias nem mapas… Pajuçara – Maceió – Alagoas – Brasil.

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14.2 banco de pedra. na rua passam transeuntes despreocupados. no horizonte um céu em tons enigma e a água morna com peixes sem nome, / nadando num azul profundo como borboletas voando sob um céu arco-íris. areia branca. água espelhando o reflexo do céu…Ponta Verde – Maceió – Alagoas – Brasil.

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15. pavilhão de artesanato. arte tecida por fios delicados. lá fora, o sol fechou a porta para a chuva. por trás das nuvens de vapor há um céu com uma tonalidade indecifrável. o sol queima a pele. nos corredores passam transeuntes vagando de um lado para o outro com um olhar indiferente…vejo no chão de azulejo branco e concreto pés seguindo com destino incerto…andares vagos em meio a passos vacilantes… Ponta Verde – Maceió – Alagoas – Brasil.

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*Em breve finalizo as intervenções urbanas no Brasil e o projeto segue para os países da Lusofonia e do grupo CPLP… e segue…

saudações literárias

sigo.

m.t.

12. em algum ponto de ônibus e cruzamento entre o centro da cidade e a estação rodoferroviária, / a poucos metros do teatro Guaíra e da Rua XV de Novembro, / mais conhecida como Rua das Flores (colorida e bela) / vidas que se cruzam / movimentos que mudam a paisagem e a geografia dos espaços urbanos / neste cenário, / um livro à espera… / um mar de carros / semáforos mudando suas cores / buzinas enfurecidas / passos apressados / corpos em movimento / caos / frio / um encontro entregue ao sabor do imponderável… Curitiba – Paraná – Brasil.

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13. em algum lugar há um livro num chão de pedra na estação rodoferroviária por entre corpos que se separam e juntam-se e as distâncias que se alargam e encurtam-se em suas ambivalências / sons / um vento soprando do leste…. / um mapa traçando os contornos da paisagem urbana… / o imponderável… Curitiba – Paraná – Brasil.

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*Em breve finalizo as intervenções urbanas no Brasil e o projeto segue para os países da Lusofonia e do grupo CPLP… e segue…

saudações literárias

sigo.

m.t.

10. em algum lugar no Aeroporto Internacional de Guarulhos / a bola de fogo adormeceu na terra do sol nascente / paradoxo / agora, aqui dentro, vejo pela parede de vidro os primeiros raios de sol lá no horizonte…. / um livro está deitado num banco com três lugares, / encravado sobre um chão de mármore,/ com os reflexos das luzes fluorescentes lá em cima, / num teto com barras de aço / o livro está no banco em silêncio, / esperando um leitor generoso que movimente suas páginas, / depois o acomode na prateleira de uma biblioteca, / ou, / quem sabe, / compartilhe com outros para experiências intercambiáveis, / deixemos esses diálogos entregues ao sabor do imponderável… / e sigamos… São Paulo – SP – Brasil.

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11. em algum banco de ferro, / ou um chão brilhante / enquanto isso transeuntes seguem em direção ao portão de embarque / em alguns minutos um escriba também seguirá, / com passos apressados vai seguindo como um andarilho errante… / o livro fica quieto e deitado no banco sobre um chão de mármore… São Paulo – SP – Brasil.

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m.t.

9. em algum lugar em meio a um calçadão de pedra entre ruas e ladeiras do Pelourinho e seus casarões históricos e multicoloridos e linguagens habitadas por sangue e corações que pulsam com as batidas e o repique dos tambores…– Salvador – Bahia – Brasil.

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aguardem novas intervenções urbanas em São Paulo-SP, Belo Horizonte/Ouro Preto-MG, Curitiba/ Foz do Iguaçu-PR… e segue… mais adiante segue para Angola, Moçambique, Sudão, Congo, África do Sul nos guetos de Soweto e para o sul da Etiópia… e segue… para os países pobres e despedaçados do Leste Europeu… e segue… para o sudoeste asiático nas ruas e trânsito caótico da Tailândia, Camboja e Vietnã… e segue… para os subúrbios de Paris e Nova York e ruas do Brooklin… e segue…

em breve novos colaboradores serão convidados para participar e dar seguimento a esta empreitada mundo afora…

sigo.

m.t.

8. em algum buzu seguindo para o subúrbio soteropolitano entre a água fria do mar e o asfalto quente das ruas da Suburbana… – Salvador – Bahia – Brasil.

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